Uma extensa investigação conduzida pelo Ministério Público (MP) e pela Receita Federal revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) tem utilizado uma rede de hotéis e motéis, juntamente com postos de combustíveis, para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas. As operações abrangem diversas cidades do estado de São Paulo, demonstrando a sofisticação e alcance da organização criminosa.
Os documentos obtidos pelo Estadão detalham que a facção criminosa emprega contadores próprios para gerenciar as finanças ilícitas. Um dos investigados, inclusive, detém procuração para representar mais de 200 empresas do setor de postos de combustível junto à Receita Federal, evidenciando o controle e a influência do PCC nesse mercado.
Uma nova operação deflagrada pelo MP tem como alvo a exploração de jogos de azar e o comércio de combustíveis adulterados pelo PCC. Estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em 35 endereços, visando desmantelar a estrutura financeira e operacional da facção nesses setores. A fintech utilizada pela organização para movimentar milhões de reais é a mesma investigada na Operação Carbono Oculto, realizada em agosto.
Segundo o MP, a investigação teve início com a apreensão de máquinas de cartão em jogos ilegais em Santos, conectadas a postos de combustíveis. A análise financeira revelou que os valores eram direcionados a uma fintech, utilizada para ocultar a origem e o destino do dinheiro. “Com o aprofundamento das investigações, foi possível identificar uma complexa rede de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na movimentação dos valores ilícitos”, afirmou o MP.
A investigação também identificou vínculos entre o PCC e empresas de hotelaria, postos de combustível e instituições de pagamento, que mantinham contabilidades paralelas para dificultar o rastreamento dos recursos. Em agosto, a Operação Carbono Oculto já havia mirado a infiltração do crime organizado na economia formal, com foco em empresas e fundos de investimento na Avenida Faria Lima. A principal instituição de pagamento investigada, a BK Bank, registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas, segundo as autoridades.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






