O apetite por risco no mercado brasileiro se intensificou nesta quinta-feira, refletindo-se no câmbio e nas ações. O dólar, tradicionalmente procurado como porto seguro, cedeu 0,20% frente ao real, fixando-se em R$ 5,38. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia com alta de 0,59%, atingindo 145.720 pontos.
De acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o desempenho positivo do real e de outras moedas de países emergentes está atrelado ao avanço das commodities. O petróleo, em particular, saltou mais de 5% após novas sanções americanas à indústria russa. “Sinais de estímulo ao consumo e planos de fortalecimento tecnológico na China também contribuíram para um ambiente favorável ao risco”, complementa o analista.
A combinação de um possível novo corte de juros nos Estados Unidos com a expectativa de manutenção da Selic em patamar elevado no Brasil sustenta o diferencial de juros entre as duas economias. Isso atrai fluxos de dólares para o mercado brasileiro através de operações de *carry trade*, estratégia que se beneficia da diferença entre taxas de juros, explica Shahini.
Adicionalmente, o otimismo no mercado foi impulsionado por expectativas de progresso nas relações comerciais entre Washington e Pequim, bem como pela agenda diplomática que envolve o encontro entre Lula e Trump na Malásia. Essa perspectiva contribui para a redução de incertezas no cenário comercial, dando suporte ao Ibovespa.
Contudo, Filassi alerta que a persistente elevação do preço do petróleo pode desencadear um repique da inflação global, impactando os custos de combustíveis e transporte. “Se o choque for duradouro, tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central Europeu podem ser forçados a adiar os cortes de juros planejados”, pondera. “Por enquanto, acredito que se trata de um risco de curto prazo. Tudo dependerá da persistência da alta do petróleo.”
Fonte: http://www.metropoles.com






