O plano de paz para Gaza, apresentado por Donald Trump e aceito condicionalmente por Benjamin Netanyahu, reacendeu o debate sobre o futuro da região. Analistas divergem sobre a viabilidade da proposta, apontando desde sua solidez teórica até as dificuldades práticas de implementação. As críticas também se concentram na centralização do poder na figura de Trump e na escolha de Tony Blair para liderar a comissão de transição.
Os pontos centrais do plano incluem a cessação imediata das hostilidades, a libertação dos reféns em até 72 horas e a retirada gradual das forças israelenses. A liderança de Donald Trump no comitê de paz, encarregado de supervisionar a transição em Gaza, demonstra a ambição do ex-presidente em protagonizar a resolução do conflito. No entanto, essa centralização gera questionamentos sobre a representatividade e a aceitação da proposta por todas as partes envolvidas.
David Rigoulet-Roze, especialista em Oriente Médio, reconhece a solidez do plano, mas pondera os desafios de sua execução. “A pressão de Trump para resolver o conflito é extremamente forte”, afirma, mas ressalta a importância da adesão do Hamas para o sucesso da iniciativa. A resistência do grupo palestino, que controla a Faixa de Gaza, pode ser um obstáculo significativo.
Souhire Medini, pesquisadora do Washington Institute, critica o que considera o “egocentrismo” de Trump na proposta. “Ele está em destaque por meio da presidência do que chamou de comissão de paz”, declara. Para Medini, a ênfase em aspectos econômicos, em detrimento do direito internacional, pode gerar desconfiança entre os palestinos e comprometer a viabilidade do plano.
Éric Danon, ex-embaixador da França em Israel, avalia o plano como concreto e potencialmente decisivo, oferecendo uma “saída não humilhante ao Hamas”. No entanto, a escolha de Tony Blair para um papel de destaque na governança de transição também é vista com reservas. A associação com o passado colonial britânico na região pode gerar resistências e dificultar a construção de um consenso duradouro.
O cenário complexo e as opiniões divergentes entre especialistas revelam a magnitude do desafio em alcançar uma paz estável em Gaza. Resta aguardar os próximos passos e a resposta do Hamas, que tem um prazo de três dias para se manifestar sobre a proposta americana. O futuro da região depende da capacidade de diálogo e da superação das desconfianças históricas.
Fonte: http://www.metropoles.com






