O mercado de aviação brasileiro testemunhou uma reviravolta com o anúncio do fim das negociações de fusão entre a Gol e a Azul. A Abra, controladora da Gol, comunicou a decisão na última quinta-feira, pondo fim também ao acordo de compartilhamento de voos que buscava integrar as malhas aéreas das companhias. A notícia agitou o setor e reacendeu debates sobre o futuro da concorrência e os benefícios para o consumidor.
O anúncio foi recebido com otimismo pelo mercado, que via riscos consideráveis na união, principalmente no que tange à aprovação regulatória e à possibilidade de um duopólio. Analistas apontam que a manutenção de três grandes companhias aéreas no mercado favorece a competição e, consequentemente, preços mais competitivos para os passageiros. Reflexo disso, as ações da Azul e da Gol registraram altas significativas após a divulgação.
A controladora da Gol justificou a decisão alegando que as discussões não avançaram desde a assinatura do memorando de entendimento em janeiro. A empresa mencionou o foco da Azul em seu processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil, como um dos principais entraves. Analistas também apontam para o timing diferente das empresas, com a Azul em meio à reestruturação e a Gol recém-saída desse processo, como um fator complicador.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a decisão traz alívio para ambas as empresas. “A fusão implicava operações complexas, incertezas regulatórias, sinergias que, na prática, percebemos serem difíceis de materializar”, explica Lima. “(A decisão) permite que cada empresa volte a focar em sua própria estratégia, de forma independente.”
Com a Latam consolidando sua liderança no mercado, Gol e Azul agora precisam traçar seus próprios caminhos para fortalecer suas posições. Enquanto a Latam aposta em escala e diversificação, as duas empresas devem se concentrar em rotas mais rentáveis e otimizar suas operações individualmente. O futuro do mercado aéreo brasileiro permanece dinâmico e incerto, com a concorrência como fator chave para beneficiar o consumidor.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






