Revolução no Crédito Imobiliário? BC Propõe Medida para Reduzir Juros e Tornar Financiamentos Mais Previsíveis

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Uma proposta inovadora do Banco Central (BC) pode redesenhar o cenário do crédito imobiliário no Brasil. O diretor de Regulação, Gilneu Vivan, sugere a inclusão de um componente adicional de amortização em financiamentos indexados a índices de preços, com o objetivo de mitigar a volatilidade das prestações e, consequentemente, reduzir o custo total dos juros para o consumidor. A medida visa trazer mais segurança e previsibilidade aos contratos, especialmente em um contexto de incertezas econômicas.

De acordo com uma nota técnica divulgada por Vivan, simulações indicam que a adoção desse componente pode gerar uma economia significativa nos juros pagos ao longo do contrato. Em um cenário simulado, a redução poderia alcançar até 34,6% no sistema Price e 24% no Sistema de Amortização Constante (SAC), considerando um financiamento de 30 anos, juros reais de 4% ao ano e inflação estável também em 4% ao ano.

O modelo proposto pelo BC guarda semelhanças com o novo crédito imobiliário lançado recentemente pelo governo. O Conselho Monetário Nacional (CMN) já determinou a criação de um componente adicional de amortização, com um teto definido pela média do índice de preços utilizado nos 20 anos anteriores à contratação. O BC será responsável por divulgar mensalmente o valor máximo desse componente, com base no IPCA.

“Com a inclusão há um aumento no valor nominal da prestação inicial do contrato, mas, como contrapartida, há uma redução da volatilidade das parcelas seguintes”, pondera Vivan na nota técnica. Embora a parcela inicial possa ser até 53% maior no modelo proposto, essa diferença tende a diminuir com o tempo, à medida que a inflação é incorporada às prestações no modelo tradicional. Uma eventual redução das taxas de juros, em decorrência da menor inadimplência esperada, também contribuiria para mitigar essa diferença inicial.

A proposta do BC também busca proteger os mutuários em cenários de variação inesperada da inflação. Simulações mostram que, mesmo com oscilações significativas na taxa inflacionária, o modelo com adicional de amortização tende a manter uma menor volatilidade das parcelas, garantindo maior previsibilidade e segurança para os consumidores. Essa estabilidade é particularmente importante para famílias de baixa renda, que são mais vulneráveis a flutuações nas prestações e têm menor capacidade de absorver choques financeiros.

Vivan argumenta que os contratos atuais, corrigidos pela inflação, geram insegurança nos mutuários, uma vez que a renda nem sempre acompanha o ritmo de crescimento das prestações. Essa dinâmica, segundo ele, compromete a renda disponível e aumenta o risco de inadimplência. A proposta do BC, portanto, representa uma tentativa de modernizar o sistema de crédito imobiliário, tornando-o mais acessível, transparente e seguro para todos os envolvidos.

Fonte: http://www.infomoney.com.br