A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta quinta-feira, Adolfo Antônio Pires, um médico condenado por falsificar laudos para a liberação irregular do cultivo de maconha. A prisão, efetuada pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), cumpre um mandado expedido após a condenação em primeira instância, há mais de um ano, a 13 anos de prisão. A defesa do médico havia recorrido da decisão.
A captura de Pires foi resultado de um minucioso trabalho de inteligência da DRF, que localizou o paradeiro do médico. Anteriormente, em 2023, ele já havia sido preso preventivamente, durante a fase de investigação do caso. Segundo as autoridades, ele era uma figura central em uma rede criminosa que usava a medicina como fachada para atividades ilegais.
O esquema fraudulento consistia na emissão de laudos falsos, com diagnósticos simulados de doenças graves, para justificar o plantio doméstico de maconha sob a alegação de “uso medicinal”. Na prática, esses documentos mascaravam atividades ilícitas e proporcionavam vantagens financeiras indevidas aos envolvidos. A Polícia Civil afirma que a investigação comprovou a prática de extorsão.
De acordo com a investigação, o médico extorquia pacientes e familiares beneficiados por habeas corpus obtidos através dos laudos falsos. Ele exigia pagamentos sob ameaças veladas, explorando sua posição e o medo das vítimas de perderem as autorizações judiciais. A polícia descobriu uma extensa rede de manipulação documental e conivência profissional, com dezenas de pacientes diagnosticados falsamente e autorizações judiciais obtidas de forma fraudulenta.
Adolfo Antônio Pires já havia sido preso em julho de 2023 durante a Operação Seeds, juntamente com sua esposa, um advogado e um biólogo. O grupo oferecia um “pacote” para a plantação de skunk, uma variedade de maconha mais potente, incluindo laudos, habeas corpus e a estrutura para o cultivo, cobrando entre R$ 3 mil e R$ 50 mil. A Lei Antidrogas proíbe o plantio de maconha em casa, exceto sob autorização judicial para fins terapêuticos, porém, nenhum dos casos investigados se enquadrava nessa exceção.
O médico atuou em sete hospitais públicos e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no Rio, incluindo a Maternidade Fernando Magalhães e o Hospital da Mulher Heloneida Studart. A Secretaria Municipal de Saúde informou que o último trabalho de Pires na rede municipal foi em novembro de 2021, com contrato por tempo determinado. A Secretaria Estadual de Saúde ainda não se pronunciou sobre o histórico do médico nas unidades estaduais.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






