O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, em sua última reunião, manter a taxa Selic em 15% ao ano. Essa decisão, no entanto, não impede que investidores busquem alternativas para otimizar seus rendimentos, especialmente no mercado de renda fixa. Com a expectativa de cortes nos juros nos próximos meses, o momento exige atenção e planejamento.
Diante deste cenário, a renda fixa volta a brilhar como uma opção atrativa para diversos perfis de investidores. A chave para o sucesso, contudo, reside na compreensão dos diferentes tipos de ativos e na capacidade de antecipar os movimentos do mercado. Estar preparado para as oscilações da Selic é crucial para evitar perdas e maximizar os ganhos.
João Baptista Peixoto Neto, CEO da Ouro Preto Investimentos, destaca que a renda fixa não se resume apenas aos momentos de Selic alta. “Com a Selic em queda, muitos investidores passam a olhar para os títulos prefixados e os atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+. Isso porque, ao travar hoje uma taxa prefixada ou uma taxa real, o investidor garante ganhos maiores caso os juros continuem recuando”, explica.
A queda da Selic pode impactar de diferentes formas os investimentos em renda fixa. Nos investimentos pós-fixados, a rentabilidade acompanha a Selic, diminuindo automaticamente. Já nos prefixados, quem comprou antes da queda garante um rendimento superior ao que o mercado pagará depois. Em títulos de longo prazo, o valor de mercado pode até subir, impulsionado pela atratividade gerada por juros mais baixos.
Para o especialista, a escolha entre renda fixa pós-fixada, prefixada ou híbrida depende da expectativa sobre a Selic e do cenário macroeconômico. Se a expectativa é de queda nos juros, prefixados e IPCA+ se tornam mais vantajosos. Em contrapartida, se a tendência for de alta ou houver incerteza, os pós-fixados oferecem maior segurança, acompanhando a Selic e evitando taxas defasadas.
Em momentos de incerteza, os títulos híbridos, como o Tesouro IPCA+, podem ser uma excelente alternativa. “Afinal de contas, esses ativos combinam uma taxa fixa com variação da inflação, oferecendo proteção se a Selic cair (garantindo retorno real) e proteção se a inflação subir”, afirma Peixoto Neto.
Para mitigar riscos e potencializar ganhos, a diversificação da carteira é fundamental. Combine pós-fixados, prefixados, títulos IPCA+ e até FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). Além disso, considere o horizonte de tempo do investimento e avalie o cenário macroeconômico, incluindo inflação, situação fiscal e condições externas.
Peixoto Neto finaliza com um alerta importante: a Selic é apenas um dos fatores que influenciam os investimentos. “O cenário fiscal, a inflação e as condições externas também pesam. Por isso, o investidor deve pensar em horizonte de tempo, diversificação e em como equilibrar risco e retorno. Selic mais baixa não significa abandonar a renda fixa, mas sim ajustar a estratégia para capturar as melhores oportunidades no novo ciclo de juros”, conclui.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






