O Federal Reserve (Fed), que recentemente retomou os cortes de juros, enfrenta um novo desafio: a paralisação do governo dos Estados Unidos. A falta de dados econômicos essenciais, como o relatório de emprego (payroll) e o índice de preços ao consumidor (CPI), pode comprometer a capacidade do banco central de avaliar a saúde da economia e tomar decisões informadas sobre a política monetária.
A suspensão da divulgação de dados oficiais, conforme anunciado pelo Departamento de Estatísticas de Trabalho, deixa o Fed em uma situação delicada. Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, expressou a preocupação: “É doloroso não receber estatísticas oficiais justamente quando estamos tentando entender se a economia está em transição”. Essa incerteza surge em um momento em que os próprios dirigentes do Fed divergem sobre a estratégia ideal para os cortes de juros.
A principal questão em debate é o nível de restrição da atual taxa de juros sobre a economia. Se a taxa estiver contendo pouco o crescimento, o Fed terá margem limitada para reduzi-la. Por outro lado, se a taxa estiver restringindo demais a atividade, o banco central pode precisar agir mais rapidamente para evitar impactos negativos no mercado de trabalho. Stephen Stanley, economista-chefe do Santander, destaca a dificuldade em encontrar um consenso: “Há um enorme desacordo sobre onde está esse nível neutro”.
Além do shutdown, o Fed também está atento a outros riscos, como a desaceleração do crescimento mensal do emprego e o distanciamento da inflação da meta de 2%. Jerome Powell, presidente do Fed, já havia sinalizado apoio a uma redução gradual dos juros, descrevendo-a como uma estratégia de “gestão de riscos”. No entanto, nem todos os dirigentes concordam com essa abordagem.
Stephen Miran, novo integrante do Conselho de Governadores do Fed, defende cortes de juros mais agressivos, argumentando que as taxas atuais são “muito restritivas”. Sua visão diverge da maioria dos dirigentes, que consideram as taxas apenas “moderadamente restritivas”. A falta de dados confiáveis torna ainda mais difícil para o Fed navegar neste cenário complexo e incerto.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






