A quinta-feira (9/10) foi marcada por turbulência nos mercados financeiro, com o dólar à vista ascendendo 0,58%, atingindo R$ 5,37, e o Ibovespa recuando 0,31%, fechando aos 141.708 pontos. O cenário reflete a crescente preocupação com a situação fiscal tanto no Brasil quanto no exterior, diminuindo o apetite dos investidores por ativos de risco. A instabilidade política na Europa e as incertezas em relação à política econômica japonesa contribuíram para o clima de cautela global.
No Brasil, a rejeição da Medida Provisória (MP) 1.303, que buscava alternativas ao aumento do IOF, intensificou as preocupações. A decisão, que ocorreu na quarta-feira (8/10), com 251 votos contrários e 193 favoráveis, deve gerar um impacto negativo de R$ 42,3 bilhões nas contas públicas até 2026, segundo estimativas do governo federal. A incerteza sobre a capacidade do governo em equilibrar as contas públicas pressionou os ativos brasileiros.
Ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, tenha apresentado um resultado ligeiramente inferior ao esperado, com alta de 0,48% em setembro, ante deflação de 0,11% em agosto, o temor fiscal persiste. “No cenário doméstico, houve algum ruído político após a rejeição da MP que tratava de fontes de arrecadação alternativas ao IOF, aumentando a incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas”, observou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
O cenário externo também exerceu influência sobre o mercado brasileiro. O fortalecimento global do dólar, impulsionado por preocupações fiscais na França e no Japão, contribuiu para a valorização da moeda americana frente ao real. A crise política na França, desencadeada pela renúncia do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, e as declarações da futura primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a política monetária, acentuaram as incertezas.
“A queda das commodities, especialmente do petróleo, também pesou contra moedas de exportadores”, acrescentou Shahini. Apesar da inflação considerada “moderada”, o especialista pondera que a Selic deve permanecer em patamar elevado por mais tempo, o que ainda sustenta um diferencial de juros favorável ao real. No entanto, o quadro geral de incertezas, tanto no Brasil quanto no exterior, continua a ditar o ritmo dos mercados.
Fonte: http://www.metropoles.com






