Um projeto com quase um século de história, o túnel submerso que ligará Santos a Guarujá, está prestes a se tornar realidade. A abertura dos envelopes com as propostas para a construção, operação e manutenção da obra, orçada em R$ 6,8 bilhões, está marcada para 5 de setembro. A expectativa é que, em 2029, a travessia entre as duas cidades seja feita em menos de dois minutos, um grande avanço em relação ao tempo gasto atualmente com as balsas.
O InfoMoney acompanhou de perto a trajetória desse projeto ambicioso, desde sua concepção até o momento atual. A ideia original surgiu em 1927, inspirada no Túnel Holland, em Nova York. O arquiteto Enéas Marini vislumbrava um túnel que pudesse acomodar diversos tipos de veículos, desde bondes até carroças. Um conceito visionário para a época.
Ao longo das décadas, o projeto foi retomado e engavetado diversas vezes, enfrentando obstáculos como a crise da dívida externa nos anos 1980. No entanto, a parceria entre os governos federal e estadual, com a inclusão da obra no Novo PAC, reacendeu a esperança. Em abril, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e o governador Tarcísio de Freitas, apresentaram o projeto a investidores na Europa, buscando atrair expertise e recursos para a concretização da obra.
A obra representará um marco na engenharia nacional. Com 1,5 km de extensão, sendo 870 metros submersos a 21 metros de profundidade, o túnel contará com três faixas de rolamento por sentido, uma delas exclusiva para o VLT, além de acessos para pedestres e ciclistas. A construção utilizará seis módulos de concreto pré-moldados, que serão submersos e conectados no leito oceânico.
Atualmente, a travessia entre Santos e Guarujá é realizada por balsas ou por um percurso rodoviário de cerca de 40 km. Segundo dados oficiais, mais de 21 mil veículos utilizam diariamente as balsas, juntamente com milhares de ciclistas e pedestres. Com a implementação do túnel, a expectativa é que o tráfego seja significativamente agilizado, impactando positivamente a economia e a mobilidade da região.
O leilão para a concessão da obra definirá a empresa ou consórcio responsável pela construção, operação e manutenção do túnel por um período de 30 anos. O critério de julgamento será o maior desconto sobre o valor da contraprestação pública máxima. O valor base da tarifa de pedágio está estipulado em R$ 6,15 por usuário, com data base de março de 2025. A expectativa é de grande interesse por parte de empresas nacionais e internacionais, garantindo a competitividade do certame.
Fonte: http://www.infomoney.com.br






