O cenário financeiro global exibiu sinais de nervosismo nesta quinta-feira, com o dólar registrando queda de 0,36% frente ao real, cotado a R$ 5,44. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da B3, acompanhou o movimento de baixa, fechando com recuo de 0,28%, aos 142.200 pontos. A instabilidade refletiu, em grande medida, preocupações com a saúde do setor bancário nos Estados Unidos.
A desvalorização da moeda americana no Brasil ecoou a tendência observada nos mercados internacionais. O índice DXY, que avalia a força do dólar em relação a uma cesta de seis importantes divisas, apresentou um declínio de 0,33%, atingindo 98.34 pontos. Em Nova York, os principais índices também operaram em terreno negativo, com o S&P 500, Dow Jones e Nasdaq registrando perdas.
O chamado “índice do medo” (VIX), que mensura a aversão ao risco em Wall Street, disparou, atingindo seu pico em cinco meses. Esse aumento foi impulsionado por notícias desfavoráveis sobre bancos regionais dos EUA, cujas ações sofreram fortes quedas após a divulgação de fraudes em empréstimos concedidos a fundos de investimento em hipotecas comerciais problemáticas. As ações das instituições financeiras Zions Bancorp e Western Alliance Bancorp despencaram.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, explica que a turbulência nos mercados foi desencadeada por uma renovada preocupação com a qualidade do crédito no sistema bancário americano. “Essa incerteza gerou um aumento imediato na aversão ao risco global, fazendo com que o VIX disparasse”, afirma a economista, refletindo o receio do mercado em relação ao impacto de potenciais calotes em um contexto de endividamento elevado.
No Brasil, a cautela foi reforçada pela divulgação de um Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) mais fraco do que o esperado, indicando uma desaceleração da economia brasileira. No entanto, o impacto da crise de crédito americana foi atenuado por fatores como a queda do dólar frente ao real e um cenário misto nas commodities.
Em meio à aversão ao risco, o ouro se destacou como um porto seguro, atingindo um novo recorde. O metal com entrega prevista em dezembro fechou em alta de 2,45%, a US$ 4.304,6 a onça-troy. A valorização do ouro reflete as tensões comerciais entre EUA e China, a perspectiva de cortes nos juros americanos e a queda nos rendimentos dos títulos da dívida dos EUA.
Adicionalmente, o mercado acompanhou a expectativa em torno do encontro entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir tarifas impostas pelos EUA contra produtos brasileiros. Segundo Danilo Coelho, da Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças, “esse encontro ajudou a segurar um pouco o Ibovespa”.
Por fim, o mercado também reagiu à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a meta fiscal, que suspendeu os efeitos de uma decisão anterior que obrigava o governo a ser mais rigoroso na contenção de gastos. A incerteza em relação às contas públicas também contribuiu para a cautela dos investidores.
Fonte: http://www.metropoles.com






