Após quatro meses de resultados negativos, o comércio varejista brasileiro apresentou um leve crescimento de 0,2% em agosto, conforme dados divulgados pelo IBGE. A notícia traz um alívio para o setor, mas especialistas alertam que ainda é cedo para comemorar uma recuperação consolidada. O cenário econômico, marcado por juros altos e inflação persistente, ainda exige cautela.
Apesar do respiro, economistas consultados pelo Metrópoles adotaram uma postura conservadora. A recuperação, embora bem-vinda, ainda não demonstra força suficiente para reverter a tendência de desaceleração observada em diversos segmentos da economia brasileira. A análise aponta para a necessidade de monitoramento contínuo dos indicadores nos próximos meses.
O IBGE detalhou que, na comparação anual, o volume de vendas do varejo cresceu 0,4%, marcando o quinto mês consecutivo de alta. No acumulado do ano, o crescimento é de 1,6%, e em 12 meses, 2,2%. Já no varejo ampliado, que inclui setores como veículos e materiais de construção, houve um aumento de 0,9% em agosto, mas um recuo de 2,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
André Valério, economista sênior do Banco Inter, pondera: “Apesar da alta disseminada, a recuperação foi insuficientemente fraca no geral e não impediu o arrefecimento do volume de vendas em 12 meses”. Ele ainda complementa que os próximos meses exigem atenção, pois uma intensificação do arrefecimento pode incentivar o Copom a iniciar um ciclo mais proativo de cortes da Selic no ano que vem.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, compartilha da mesma visão: “Apesar do desempenho positivo em agosto, os dados divulgados nos últimos meses mostram que o varejo vem perdendo força ao longo de 2025.” Ela explica que os números mais fracos vêm de segmentos sensíveis ao crédito, impactados pela Selic elevada, como veículos e materiais de construção. A expectativa é de que o varejo ampliado termine o ano praticamente estável.
Fonte: http://www.metropoles.com






